Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), existem 11.951.347 negros evangélicos. Desses, 8.676.997
(72,6%) são pentecostais, enquanto a população negra de umbandistas e
candomblecistas não alcança 253.000 pessoas. Por que os negros fizeram opção
pelo pentecostalismo?
A
publicidade negativa realmente ajudou a trazer mais pessoas. Alguma coisa
sobrenatural acontecia naquele prédio antigo. William J. Seymour, pregador
batista negro, recém-chegado de Houston, chamava os crentes a dar um passo a
mais. Na verdade, dois passos: ele queria que eles se “santificassem” e que
fossem “batizados no Espírito Santo”. O batismo, dizia ele, seria acompanhado
pelo falar em línguas.
Houve
outras irrupções do falar em línguas ao redor dos EUA e da Europa nos anos
anteriores, mas o acontecimento da rua Azusa foi a grande explosão. As reuniões
continuaram naquele “prédio decadente” por vários anos. Muitas pessoas viajaram
para lá simplesmente para ver o que estava acontecendo.
O mundo
estava pronto para o avivamento. O final do século XIX assistiu à grande
revolução industrial. As pessoas se tornavam engrenagens da máquina social. A
lacuna entre os ricos e os pobres aumentava. Infelizmente, a igreja, com
freqüência, pendia mais para os ricos. Até mesmo grupos “comuns” e
tradicionais, como os batistas e os metodistas, enfatizavam mais os bens
materiais do que a energia espiritual. Graças aos precursores avivalistas, como
Finney e Moody, as igrejas estavam cheias. Porém, muitos que professavam o cristianismo
ainda careciam de alguma coisa.
Marco Davi
de Oliveira, em sua obra A religião mais negra do Brasil, tenta responder qual
é a religião representativamente mais negra do Brasil e por que essa
identificação dos negros. O pesquisador descobre que a religião com o maior
número de negros não são as religiões Afro, nem a Igreja Católica, tão pouco os
protestantes históricos, mas, sim, os pentecostais. Ele constata que os negros
brasileiros se converteram e passaram a fazer parte das igrejas pentecostais,
em grande número, nas últimas décadas. O que torna a igreja pentecostal a
religião com maior número de negros no Brasil.
Um dos
motivos para essa identificação negra está na capacidade da igreja pentecostal
oferecer ao fiel uma valorização de sua autoestima por meio de seu culto e
liturgia. A pobreza extrema é uma das responsáveis por uma baixa auto-estima e,
conseqüentemente, por uma desvalorização pessoal do indivíduo, mas a igreja
pentecostal atua preenchendo essa lacuna. Por exemplo, através dos dons
espirituais, o fiel pode se expressar e se sentir especial, “através desse
poder”.
Para o
também estudioso do pentecostalismo latino americano, Jean- Pierre Bastian, nas
práticas pentecostais, a conversão e a emoção são indissociáveis. Ao contrário
da Teologia da Libertação que pretendia a construção do pobre como sujeito
conscientizado, ou do protestantismo histórico que pretendia formar sujeitos
autônomos e críticos, “o pentecostalismo constrói a categoria de pobre, não no
plano cognitivo, mas no plano emocional, por um discurso de consolo e uma
prática terapêutica”.
Muitos
trabalhos acadêmicos recente passaram a reconhecer a presença das igrejas
pentecostais em comunidades pobres das grandes cidades brasileiras e relacionar
com a ascendência dos negros na sociedade brasileira. Ser negro e, além disso,
evangélico, não era decisão fácil há algumas décadas atrás no Brasil.
fonte: Instituto Paracleto
“Fazer Missões e estar na dependência do poder de Deus, por melhor que seja o método precisamos nos revestir do Espírito Santo, para alcançar o perdido a qualquer custo”
"E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha."Lucas 14:23
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Pastor João Paz
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